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Como o agro pode diminuir a pegada de carbono através de sistemas fotovoltaicos

No cenário atual de busca por soluções sustentáveis, a energia solar tem se destacado como uma das alternativas mais promissoras para atender às necessidades energéticas de diversos setores. Um deles é o agronegócio, onde essa tecnologia se tornou fundamental, não apenas pela redução de custos operacionais, mas também pela diminuição da pegada de carbono.

Ao mesmo tempo em que tem o desafio de aumentar a produtividade para alimentar a população mundial, o agro precisa diminuir seus impactos no planeta. Para isso, algumas iniciativas, como a redução da emissão de gases poluentes, são cada vez mais incentivadas e cobradas dos segmentos que o compõem.

Para ajudar esse e outros setores produtivos a serem mais sustentáveis, algumas alternativas e tecnologias já são apresentadas, como o uso dos sistemas fotovoltaicos. Quer entender como a energia gerada através dos raios solares pode impulsionar a eficiência e a sustentabilidade no campo? Continue aqui!

O que é pegada de carbono?

Pegada de carbono se refere à quantidade total de gases de efeito estufa, principalmente dióxido de carbono (CO2), liberados na atmosfera como resultado das atividades humanas diretas e indiretas. Essas atividades podem incluir o uso de energia, transporte, produção industrial, agricultura e muito mais.

Uma vez calculada a pegada de carbono, podem ser implementadas estratégias para reduzi-la. Algumas delas são a adoção de fontes de energia renovável, melhorias na eficiência energética, transporte sustentável, entre outras medidas.

Produção X sustentabilidade

O agronegócio é um dos principais setores da economia brasileira, responsável por 1/4 do Produto Interno Bruto (PIB) do país e por torná-lo uma potência em exportação. Para se ter ideia, o Brasil é líder mundial na oferta de carne – produto cujo consumo não para de crescer mundialmente. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, até 2030, a ingestão média dessa proteína deve aumentar em 14,2% por pessoa.

O país é, também, um dos principais exportadores de grãos, principalmente de soja. Conquistas que o colocam como um dos protagonistas diante da necessidade crescente de abastecimento de alimentos. Mas, que também lhe impõe a responsabilidade de balancear produção e sustentabilidade (agropecuária de baixo carbono), mitigando sua interferência na natureza através da preservação dos recursos naturais e da diminuição da emissão de gases poluentes.

Hoje, só a agropecuária é responsável por 28% das emissões de gases do efeito estufa (GEE) no país, sendo que 76,1% do gás metano (CH4) é gerado através da pecuária. A atividade ocupa 167 milhões de hectares de pastagem espalhados pelo país, dos quais 42% estão degradados de forma moderada ou severa, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Como, então, aumentar a produção e ser mais sustentável ao mesmo tempo? Alguns estudos apontam que isso é possível, como os da própria FGV (Estudos do Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia). Eles sinalizam a possibilidade de o setor neutralizar as emissões de CO2 provenientes das lavouras e da pecuária até 2030, recuperando pastagens degradadas (o que evita mais desmatamento) e apostando nos sistemas integrados de Lavoura-Pecuária-Floresta. 

Mas, também é possível, atuar em outras frentes e ser ainda mais sustentável e, em diferentes segmentos do setor. Defensores de um agro mais alinhado à sustentabilidade pontuam algumas práticas como uso moderado de defensivos agrícolas, técnicas que possam substituir a irrigação, gestão de resíduos e uso de energia renovável, por exemplo. 

Energia solar e diminuição do CO2

Em 2022, as fontes renováveis ajudaram a limitar a emissão global de CO2,  relacionada à produção de eletricidade, em 0,9%, de acordo com a avaliação da Agência Internacional de Energia (AIE). Mesmo atingindo o recorde de 36,8 bilhões de toneladas, o resultado foi comemorado, visto que sem a ascensão da energia verde e outras tecnologias, o crescimento seria muito maior. Em 2021, o salto foi de 6%.

No ano passado, 90% do crescimento da produção de eletricidade resultou das fontes renováveis, lideradas pela energia solar e eólica.

A energia solar é uma das principais alternativas no processo de neutralização de carbono, porque a emissão de gases do efeito estufa é mínima para que seja gerada.  Além de limpa, ela também é inesgotável (visto que tem como fonte o sol) e não gera impacto no ambiente onde é instalada. 

Crédito de carbono: qual o papel do agro 

O mercado de crédito de carbono consiste na não emissão de gases do efeito estufa. Ou seja, quem polui menos ganha pontos e pode negociar com quem não conseguiu atingir suas metas. Esse conceito surgiu em 1997, com o  Protocolo de Kyoto, um tratado ambiental fechado entre cerca de 180 países. Na prática, é um certificado que comprova a não emissão CO2 na atmosfera.

A cada tonelada evitada ganha-se um crédito, que é utilizado por empresas e governos para comprovarem que estão cumprindo suas metas estabelecidas com os acordos climáticos. 

Com o acordo de Paris, em 2005, assinado por 195 países, foi reforçada a necessidade de mitigar a emissão de gases e foi criado um mercado internacional de compensação de créditos. Em 2021, houve a regulamentação desse comércio, na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), em Glasgow, na Escócia.

Esse mercado verde que está emergindo poderá chegar a US$ 100 bilhões em 2030, segundo a consultoria McKinsey e o Brasil tem grande potencial de se destacar nele, principalmente pelas suas florestas. Mas, para isso, é preciso aplicar muitas mudanças. 

Ainda de acordo com o estudo da consultoria, no que tange ao agronegócio, o país é o primeiro no ranking dos que podem lucrar com práticas sustentáveis para a agricultura.  Temos o potencial de sequestrar de 120 milhões a 160 milhões de toneladas de CO2, sendo que atualmente esse número corresponde a 0,3 milhão.

Além da retirada de CO2 da atmosfera, o agro também pode contribuir evitando a emissão desse e de outros gases poluentes, sendo uma das formas de fazer isso a utilização de energia limpa e renovável, que não polua para ser gerada e não utilize recursos finitos como a água no seu processo de produção, como é o caso da energia solar.

Aplicações da energia solar no campo

A energia solar oferece diversas aplicações no agronegócio, contribuindo para aumentar a eficiência das operações agrícolas, reduzir os custos e promover a sustentabilidade ambiental. 

  • Bombeamento de água: uma das técnicas que têm crescido nas propriedades Brasil afora é o bombeamento solar, que consiste em utilizar a energia fotovoltaica para alimentar as bombas de água colocadas em poços e reservatórios para abastecer propriedades, utilizar na irrigação de plantações e na hidratação animal. Essa tecnologia ajuda a reduzir a emissão de gases no processo, assim como a dependência de combustíveis fósseis, além de reduzir custos.  
  • Estruturas agrícolas: as instalações como celeiros, estufas e galpões dependem de iluminação, ventilação, aquecimento e refrigeração. A energia solar pode ser usada para alimentar esses sistemas, tornando as operações mais econômicas e sustentáveis.
  • Equipamentos agrícolas: a energia solar também pode ser usada para alimentar maquinário agrícola, como cortadores de grama, drones de monitoramento, máquinas de ordenha e outros equipamentos que dependam de eletricidade. 
  • Sistemas de refrigeração: em setores como a produção de alimentos perecíveis, a energia solar pode ser empregada para alimentar sistemas de refrigeração e armazenamento a fim de manter a qualidade dos produtos.
  • Sensores e dispositivos de monitoramento: painéis fotovoltaicos podem fornecer energia para sensores, câmeras e dispositivos de monitoramento utilizados para acompanhar o crescimento das culturas, a saúde dos animais e as condições climáticas.

As aplicações da energia solar no agronegócio são vastas e diversificadas. À medida que a tecnologia solar continua a avançar, o agronegócio tem a oportunidade de se tornar mais resiliente, eficiente e ecologicamente consciente. Quer saber como integrar o grupo de pessoas e empresas que estão apostando nas energias renováveis para reduzir sua pegada de carbono? O Grupo SV oferece soluções para empresas, investidores e para a agricultura e está à disposição para tirar suas dúvidas. 

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